domingo, 30 de março de 2008

"Descobri"


"Descobri" algo fantástico. "Descobri" que eu posso re-inventar o passado, que eu posso editar os fatos, que sou capaz de transformar as cenas pretas e brancas em coloridas, ou até mesmo as coloridas em preto e branco. "Descobri" que a memória nada mais é do que a arte de re-viver, de tornar o velho novo. A memória é a minha máquina do tempo. Muito me surpreende que alguns seres humanos racionais usem apenas a sua memória para re-cordar, quando podem usá-la para re-criar. Re-viver e re-cordar no sentido mais vívido dos termos. Quando re-vivo, dou significação a minha vida; quando re-crio, potencializo a minha existência. "Descobri" que para continuar a viver é necessário ser autor, é preciso ser, ao mesmo tempo e na mesma relação, a arte e o artista.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Sei lá!


A vida, às vezes, toma um curso indesejado. Ou será inesperado? Sei lá! A vida toma um curso que eu diria "sem que nem pra quê". Um curso que muitas vezes é baseado num discurso. Mesmo que seja num discurso infundado. Mesmo que fundado no descaso. Apoiado no pouco caso. Que no caso, pode ser também o seu caso. Sei lá! A vida passa rápido demais. E eu descubro que não cronometrei muito bem o tempo. Ele corre, corre e corre. Corre como bala perdida, como atleta competindo em olimpíada. Sei lá!

quarta-feira, 26 de março de 2008

Marcada pelo tempo e pela vida!


Hoje, no ônibus, havia uma velha. Uma dessas, como muitas outras, marcada pelo tempo e pela vida. Estava sentada poucos metros a minha frente. Num gesto acolhedor estendeu os braços para uma jovem loira a fim de prestar-lhe ajuda, segurando a sua mochila, por estar em pé cercada de pessoas em situação semelhante. A jovem, sem hesitar, entregou com prontidão a sua mochila, num gesto agradecido. Contudo, esse gesto transformar-se-ia repentinamente. Você vai entender o porquê. A jovem continuou a sua viagem, quando, de repente, a senhora devotamente, tirou um terço da bolsa e, fez na sua fronte o sinal da cruz, descendo do ônibus. A jovem desesperada, com a porta a fechar com o seu corpo ao meio, desceu do ônibus para resgatar o celular, que aquela mesma senhora, sacra, acabara de roubar. Pobre velhinha! Seu ato foi flagrado e denunciado por um outro jovem que estava sentado atrás, num banco mais alto que o seu.

domingo, 23 de março de 2008

Inércia!

Inércia! Não me refiro à Primeira Lei da Física! Refiro-me, sim, ao estado em que muitas vezes me observo. Talvez esta confissão te choque, contudo esta é a pura e límpida verdade. Muitas vezes quando tenho tempo para parar e pensar sobre o mundo em que vivo, adornado pela mediocridade, pela mesquinhez, pelos interesses egoístas, pela lei dos mais fortes que oprimem e superam os mais fracos, sinto uma espécie de desespero, de nojo, de medo. Sei lá que sentimento é esse! Aí, paro e me pergunto: O que eu tenho feito? E a resposta vem: Pouco. Muito pouco. Pouquissímo. Mas isso não me surpreende tanto. Sabe o que mais me impressiona? É que estou inerte. Todos os dias eu sei que alguma criança é abusada pelos próprios pais, que uma mulher é espancada pelo seu próprio marido e não tem a coragem de largá-lo por medo de encarar a vida sem ele, que crianças são jogadas nas Lagoas da Pampulha da vida, que menores vendem os seus corpos para prover o seu sustento e muitas vezes o de toda família, que crianças dormem nas ruas - enquanto eu tenho uma cama. Nada revela mais a inércia do que sentir o cheiro do lixo, vê-lo debaixo do nariz e não jogá-lo fora. A sociedade produz o lixo, o seu fedor entra pelas minhas narinas e, aos poucos, infelizmente, eu vou me acostumando com o fedor.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Caminhando para algum lugar!

Têm momentos em que eu paro e me pergunto: Pra onde estou indo? O caminho para a vida é necessariamente incerto. Digo necessariamente, não é apenas para utilizar de um advérbio. Mas porque, de fato, ou talvez, fatidicamente, ele (o caminho) seja intrinsecamente sem objetividade. A vida me parece muito subjetiva. Quando penso que anteontem eu era um bebê, que ontem eu era uma criança, e que hoje sou um adulto (não que em dados momentos tenha deixado de ser tudo isso) me choco e percebo a perplexidade que envolve a vida. Percebo que ela passa muito depressa e que o passado é inacessível fora das minhas memórias. O que resta da vida que passou em mim está na minha memória, coisa que não me torna melhor do que um computador ou dos animais irracionais, sendo que até estes a possui. Mas o que me torna diferente deles, é poder editar a vida passada. é mudar as cores, as sensações, o foco da ação das personagens, é fazer tudo ficar mais agradável, ou menos, dependendo da minha necessidade. Talvez o caminho menos necessariamente incerto, porque eu não me arriscaria dizer que existe um caminho certo, seria viver a vida já vivida. O que soa com um certo ar de mediocridade. Por outro lado, cabe pesar se valeria a pena ser menos covarde e viver a vida do hoje. Pois, só percebo que o caminho para a vida é incerto quando olho para o passado e traço planos para o futuro. Porém, quando olho para o presente visando apenas o presente percebo-me demasiadamente inconsequente. Não é a toa que "ser ou não ser" é a grande questão.

domingo, 9 de março de 2008

O Amanhã é incerto!


Há quem reze (ou ore como preferirem); há quem leia horóscopo; quem consulte búzios, cartas. etc; até mesmo, quem leia a sorte do dia do orkut. Mas, esta não é uma característica (apenas) do nosso tempo. Os judeus quando estavam para tomar alguma decisão, jogavam o urin e tumin (uma espécie de pedrinhas, que seriam um tipo de sim e não). Os povos do Oriente, de maneira geral, consultavam os oráculos. Alguns reis buscavam conselhos com os seus sábios ou adivinhos. E no futuro? No futuro não será diferente! O medo de errar no "daqui a pouco" (que não é o ontem e muito menos o hoje, mas o amanhã) sempre acompanhou a humanidade. Desta forma, não é difícil perceber a incerteza do porvir. Essa incerteza nos corroe, aprisiona, impede, paralisa. Será que por este motivo muitos optam por viver o "aqui e agora" e o "cada dia como se fosse o ultimo"? Será que estes também não são escravos da incerteza do amanhã como os que estão sendo corroídos, aprisionados, impedidos e paralisados? Restam-nos (de acordo com a crença de cada um) as orações, as cartas, os búzios, os oráculos, a sorte do orkut, que talvez sejam formas de amenizar a incerteza do amanhã.

sábado, 8 de março de 2008

Grito!!!

Você já acordou algum dia com vontade de gritar? Não estou falando de erguer a voz e depois calar-se, mas daquele grito que lhe tira o ar, daquele grito que vem da alma, alto e ressonante. Grito que expressa a indignação, que revela a tristeza da alma, as injúrias sofridas, o amor perdido - mesmo que este seja o amor-próprio. Eu ouso dizer que todos já acordaram algum dia com a vontade de gritar e de não se calar, contudo poucos foram audaciosos a ponto de fazer vibrar as cordas vocais com a ar dos pulmões a ponto de produzir um grito. As convenções, as boas maneiras, a moral, a ética, a polidez, os outros, etc, são razões pelas quais não gritamos. É muito penoso sofrer as consequências do "o que vão pensar de mim?". É por isso que não gritamos, é por isso que nos calamos, que nos acovardamos.

domingo, 2 de março de 2008

UTOPIA!

Graças ao escritor inglês Thomas Morus temos a condição de conceber a utopia. Quem não gostaria de viver num país imaginário, onde tudo está muito bem organizado, onde não exista discriminação (seja ela racial, classista, sexual, ou em qualquer outra forma que se apresente)? Quem não gostaria de viver em uma sociedade onde quem tem pouco passa a ter o necessário para a sua sobrevivência e quem tem muito passa a ter apenas o suficiente para atender as suas necessidades reais? Algumas pessoas costumam dizer que de médico e louco todo mundo tem um pouco, eu diria que utopista todo mundo é um pouco. Até mesmo aquelas pessoas que se julgam racionais, ou como são mais conhecidas - "pés no chão", entregam-se em dados (ou em muitos) momentos à utopia. Reclamamos do mundo que temos hoje, das condições de pobreza, de miséria, da falta de respeito, corrupção, fome, etc. Acredito que se não fosse essa tal de utopia estaríamos vivenciando um quadro um pouco pior. O homem não é sujeito do ontem ou do amanhã, ele é sujeito do hoje, mas é baseado no que deseja, ou pelo que tem como ideal, que ele será motivado a construir o presente. Como disse William Shakespeare: "...aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos...". A utopia tem a sua valia, contudo ela por si só é irrealizável, é fantasia, é absurda. Mas sem ela a vida torna-se inatingível, imaginária e impossível.