domingo, 7 de setembro de 2008

Independência ou Morte?


Ao invés de “independência ou morte!” me arrisco intrepidamente a dizer: “independência ou morte?”. Até que ponto a afirmação nos tornou independentes? Talvez tenha nos tornado mais independentes de nós mesmos e mais dependentes dos detentores do poder - daqueles que sempre decidiram o futuro da nação. É possível que a independência represente uma nova dependência, uma nova submissão, um novo colonizador para uma mesma colônia. Não parece haver a oportunidade de escolha. Parece que não podemos escolher se preferimos a independência à morte, e sim, que se não podemos escolher a independência que fiquemos com a morte. 90% independentes de si mesmos para serem dependentes de 10%. 10% que detêm 75% e 90% que fica com as migalhas - 25%.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Saudades do meu Herói

Saudades dos tempos em que os relâmpagos amedrontavam, as chuvas pareciam ameaçadoras e os trovões a voz de um deus irado. Certa nostalgia me cerca quando relembro as noites escuras nas quais o meu super-herói estava pronto a colocar a sua capa sobre mim, quando no meio da noite, cercado pelos sonhos, os vilões me descobriam. E o medo, que era o meu inimigo crucial, fugia bramindo: “eu voltarei”. Tempos em que eu podia voar, fosse do alto do ginásio esportivo da escola, fosse do muro de frente da minha casa, ou simplesmente por um impulso para frente. Os mais experientes diziam que eu estava crescendo. Às vezes eu caia do alto assaltado por um ataque inimigo, poucas vezes eu conseguia voltar aos ares. Porém, o caminho para o alto retiro eu conhecia. Recordo-me friamente e com um olhar despreocupado do dia em que vi um esquife sendo carregado no ombro de pessoas chorosas. Estranha coisa representou esse fato. Eu não sentia a dor deles, mas o medo do que representava aquilo. Em tal ocasião pensava eu ter medo do defunto. Era incapaz de entender que a vida havia o deixado. Diversas vezes ouvi os mais íntimos dizerem ter medo dos vivos, e não dos mortos. Apesar de educado num lar cristianizado, que bania para longe, hipoteticamente, a magia, ela sempre esteve presente. Os mortos que diziam ser mortos pareciam mais vivos do que os vivos, principalmente pela possibilidade de visualizar diariamente a cidade dos mortos, de poder ver de perto a residência deles, apesar de nunca ter ousado atravessar o portão. Estavam todos lá, com mais liberdade de movimentos do que eu que estava preso ao meu corpo. Eles podiam atravessar paredes, podiam possuir outros corpos, podiam puxar o meu pé enquanto eu dormia, ou até me buscar para viver com eles. Mas, repito, o meu herói estava lá. Lá ao meu lado. Ele era herói de carne e osso, precisava dormir, mas para me proteger abriu mão do seu descanso e se debruçou sobre a cabeceira da minha cama e me ensinou a confiar, mesmo que eu não tenha aprendido isso naquele exato momento.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

PESSOAS

Impressionante como as pessoas têm a capacidade de marcar as nossas vidas, de nos ensinar que plantar flores e colhe-las não é o mesmo que receber de alguém. Pessoas nos ensinam que o amor não é uma ilusão alienante, que bonecos foram feitos com o fim de entreter e divertir, porém pessoas para serem levadas a sério. Algumas nos ensinam a sermos mestres da espiritualidade, poetas, filósofos e até a nos libertarmos de nós mesmos. Pessoas nos ensinam a ver que o cinza representa uma fase, mas que o verde representa toda uma vida. Uma vida repleta de esperança, de oportunidades de acertos, ou até mesmo de correção dos erros. Uma oportunidade de um re-começo, quando o fim parece estar próximo. Pessoas nos ensinam que o pior jeito de viver é o egoísta e o melhor é o jeito “amar”. Pessoas nos ensinam que não há nada de errado em ser um anão com pernas de pau tentando parecer gigante, mas também nos ensinam que não é necessário sê-lo, pois elas nos amam como somos. Pessoas nos ensinam que não é necessário ter o controle das situações, mas que às vezes temos que nos deixar levar por elas, que o futuro pertence a Deus. Pessoas nos ensinam que existem mais razões para sorrir na vida do que para chorar. Pessoas nos ensinam que a criatividade é o melhor jeito de conquistar e de ser conquistado. E que a espontaneidade aliada a ela faz muita diferença. Pessoas nos ensinam que voltar a ser criança, “de vez em quando-quase sempre faz bem”. Pessoas nos ensinam que Infelicidade é só questão de prefixo. Pessoas nos ensinam a acreditar em pessoas.