Reificados
Hoje parei para pensar sobre o processo de reificação ao qual estamos sendo submetidos e nos submetendo nos últimos dias. Algo que muito me deixa preocupado. Aprendemos a valorizar coisas e usar pessoas. Ensinaram-nos que o que importa é estarmos bem, termos as nossas necessidades e vontades supridas, sentir-nos felizes. Coisas que acredito que realmente importam e têm o seu lugar. Contudo, não nos ensinaram que o outro também é um ser volitivo munido de desejos e necessidades que também devem ser supridas e respeitadas. Esqueceram de nos ensinar que abrir mão de nossas vontades em prol do outro, algumas vezes é necessário e humano. Fazemos parte da geração Y. Somos crianças vestidos em roupas de adultos que esperneiam e fazem bico quando as nossas vontades não são prontamente atendidas. Dissolvemos casamentos, pedimos demissão, rompemos amizades, enfim, desistimos quando o nosso eu é colocado em segundo plano. Isso muito me preocupa. Onde estão aquelas situações que nos ocorriam outrora e nos ensinava que o outro também tem vez? Vivemos numa modernidade líquida e transferimos toda essa liquidez para os nossos relacionamentos. Estamos inseridos em uma sociedade capitalista. Aprendemos a consumir e, inclusive, consumir pessoas como se fossem objetos. Descartamos seres humanos, assim como fazemos com eletromésticos estragados. E o mais chocante é que as pessoas se acostumaram a este tipo de tratamento. Não justificamos mais as nossas ações. Porque se o outro deixa de ser um alter ego, logo não precisa ser respeitado, pois apenas pessoas merecem justificativas como um ato de respeito.