domingo, 26 de outubro de 2008


Mendigos

Por todo lado vejo mendigos. Pessoas claudicantes, que tentam correr e pular os obstáculos. Pessoas que imploram serem amadas como amam. Que mendigam! Não comida, não roupa, não dinheiro, elas querem amar e ser amadas. Pessoas que sempre tem uma parte sobrando da cara para levar um novo tapa. Que procuram um amor que seja bom para elas, e procuram até o fim. Uma vez ouvi um escritor sonhador dizer que a mais baixa condição humana é a mendicância por amor. E eles cantam:

Eu procuro um amor
Que ainda não encontrei
Diferente de todos que amei...
Nos seus olhos quero descobrir
Uma razão para viver
E as feridas dessa vida
Eu quero esquecer...
Pode ser que eu a encontre
Numa fila de cinema
Numa esquina
Ou numa mesa de bar...
Procuro um amor
Que seja bom prá mim
Vou procurar
Eu vou até o fim...
E eu vou tratá-la bem
Prá que ela não tenha medo
Quando começar a conhecer
Os meus segredos...
Hum! Hum! Huuuum!...
Eu procuro um amor
Uma razão para viver
E as feridas dessa vida
Eu quero esquecer...
Pode ser que eu gagueje
Sem saber o que falar
Mas eu disfarço
E não saio sem ela de lá...
Procuro um amor
Que seja bom prá mim
Vou procurar
Eu vou até o fim...
E eu vou tratá-la bem
Prá que ela não tenha medo
Quando começar a conhecer
Os meus segredos...
Hum! Hum! Huuuum!...
Hum! Hum! Huuuum!...
Procuro um amor
Que seja bom prá mim
Vou procurar
Eu vou até o fim...
Eu procuro um amor
Que seja bom prá mim
Vou procurar
Eu vou até o fim...
(Segredos- Frejat)

sexta-feira, 10 de outubro de 2008


O Olhar! E, não "o seu olhar"!

Pediram-me pra escrever sobre bolhas, bolhas de sabão. Confesso que faltou e ainda falta inspiração para isso, talvez se me tivessem pedido para escrever sobre “o olhar” teria sido muito mais fácil. Mas, também, não me arriscaria escrever sobre “o seu olhar”, porque já fizeram isso e não souberam como fazer, porém eu não ousaria dizer que saberia escrever melhor do que quem já fez. Só ousaria trocar o estilo, talvez dar-lhe uma prosa ao invés de um poema, afinal de contas não sou bom com versos. Ou, até mesmo, ao invés de escrever preferiria sentar-me na grama verde, ou numa mesa de restaurante, e olhar o seu modo de olhar. Visualizar em tão pequenos órgãos a plenitude de um oceano. Navegar incansavelmente por esse mar sem desviar o olhar. Olhar esse que fala mais do que palavras, que deixa o ser desnudo, que rompe com a fragilidade da distância e aproxima recém-conhecidos em uma espécie de velhos amantes. Contudo, se mesmo assim fosse o seu desejo que eu escrevesse, eu roubaria um dos textos de Sheakspeare e o tornaria minha autoria. A frase “os olhos são as janelas da alma”, seria minha.