domingo, 28 de dezembro de 2008
















Ser


Outrora era eu mesmo.

Agora quem sou eu,

Senão outro?

Outrora eu era outro,

Agora nem sei mais quem sou.

Agora sou a parte

Antes, o todo.

Quem sou?

Senão aquele que era

Senão aquele que há de ser.

E ainda que não é.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008


Somos enquanto estamos...

Na verdade, nessa vida não somos o que somos, apenas estamos o que somos. Enquanto seres nos outros, somos. Porém, como seres em nós mesmos, individuais, apenas estamos. Na condição de que mudamos a cada átimo de tempo, de que nos diferenciamos de nós mesmos e passamos a ser outro que não é o outro. Um que em um tempo é o eu, e em outro é o tu, todavia não é ele, existindo como sujeito histórico e não-histórico, como coadjuvante e figurante. Era e deixou de ser, é e continua sendo o que quiser ser. O que era um dia, é e não é mais, pode continuar a ser como deixar de ser. Estamos porque mudamos, somos porque escolhemos assim ser, deixamos de ser porque não mais conveniente é ser. Aprendemos porque queremos mudar, mudamos porque desejamos aprender. Se não aprendemos é porque não queremos, se não queremos é porque isso não nos importa. Se não nos importa é porque é detalhe. Se for detalhe é porque não é grave. Se não é grave surge o entrave. Diante do entrave resta a face. A face que mostra o que não é ou o quanto se gostaria de ser diante do espelho, desse mesmo espelho embaçado, opaco, raso.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008


Perversidades do mundo: essas ironias finas, sutis, pungentes...

Perversidades, crueldades, maldades, pecados, improbidades marcadas por essas ironias finas, afáveis, citadinas. Ironias sutis, agudas, argutas, perspicazes, arguciosas, astutas, atiladas; que se revelam pungentes, cáusticas, escarninhas, ferinas, mordazes, sarcásticas, satíricas. Ironias, tais como lindas jóias: finas, sutis, pungentes... Jóias caras que exibem preciosidade, luxúria, poder. Tão esnobes, eretas, austeras, elegantes, vívidas. Ao mesmo tempo exageradas e contidas, torpes e sacras, simétricas e assimétricas, podres e puras, doces e amargas, vitais e nocivas, horrendas e lindas, temporais e eternas. Perversidades do mundo. Ah! Essas ironias que vão e vêm, que deixam de ser e voltam a ser, que sem um adeus em silêncio se despedem, mas com brados algozes retornam, como déspota toma o lugar que não lhe era devido e subjuga tudo a sua volta. Ironias tiranas que como um príncipe pérfido anuncia a derrocada do bom príncipe e lhe toma o legado lugar. Perversidades do mundo repletas daquele riso levemente quente e mal, que surgem no canto dos lábios e gradualmente toma conta de todo o rosto e resto... Ironias, afinal, finas, sutis e pungentes.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008


V-I-R-T-U-A-L
Nem todo mundo se acostuma a uma vida virtualesca, já outros, totalmente. Nem todo mundo se acostuma a viver no terreno do imaginário, do fantasiado, do mais cômodo, do mais seguro, do mais simples. Nem todo mundo se acostuma a beijar, namorar e transar pela internet. Nem todo mundo se acostuma a sentir o arder do gelo e fingir sentir o calor do fogo. Nem todo mundo se acostuma a fingir que conhece o outro quando nem o seu nome de verdade sabe. Nem todo mundo se acostuma a ser o André num dia e o José no outro. Nem todo mundo se acostumar a viver à sombra do que não é.