terça-feira, 23 de março de 2010



INSANIDADE


Tudo parece loucura

Pouca verdade cerca-me

Preciso de paz

Só encontro guerra

Imploro compaixão

Levo um beijo da morte

Busco alegria

Afogo-me em lágrimas

Falo verdades

Retribuem-me com mentiras

Grito por salvação

Perco-me em devaneios

Corro para a vida

Corto os pulsos

Em sangue me lavo

Mancho a minha alma

Não há quem seja leal

Agarro-me aos meus fantasmas

Eles sussurram ao meu ouvido

Adormeço nos braços do adeus

Acordo vestido de baile

Descubro: a vida é rasa

Viver é deixar de morrer.

sábado, 20 de março de 2010

Futilidades
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Alimento-me de futilidades.

Tenho fome
Tudo o que como é barato e mesquinho.

Alimento-me constantemente
E não sacio o meu estômago.

Fome é a palavra de ordem.

No alto da minha prateleira está a vulgaridade.

Desejo comer coisas honrosas,
pois cansei de comer mesquinhez.

Quero alimento sólido,
não quero compartilhar dessa modernidade líquida.

Quero ser sujeito
Deixar de ser objeto.

Quero amor,
Não quero diversão.

Cansei do hoje,
Espero um amanhã.

Mudo com os acontecimentos.

Reinvento a minha história.

Faço da tragédia a minha epopeia.

terça-feira, 16 de março de 2010

sexta-feira, 12 de março de 2010

Com a chegada da maturidade a gente aprende a olhar a vida como uma oportunidadade para aprender.

quarta-feira, 10 de março de 2010



O O-U-T-R-O

O o-u-t-r-o é a parte de um todo incompleto.
É o que sente ciúmes e ninguém ver.
O que é amado com amor sigiloso.
Aquele que não recebe mensagens.
O que liga, mas não é ligado.
O o-u-t-r-o é a imagem retorcida no espelho.
É o anjo endiabrado.
Fantasma sem vulto.
É o incompleto de um todo.
O amor discarado, que rouba mas não é roubado.
Que passa noites desacompanhado e é amado em momentos bem planejados.
Aquele que se esconde na solidão e na plenitude de não possuir o que o outro-completo tem.
O que se satisfaz com a insatisfação.
Que nega a verdade e se apropria da mentira.
O o-u-t-r-o se alegra com a sobra e não cobra um pouco mais.
Vive do que recebe e agradece.
Finge não querer ser parte, mas entende que isso é o que lhe cabe.
Não espera ser amado por completo, apenas platoniza e idealiza aquilo que poderia ser.
Vive do eu mesmo, porque ser o o-u-t-r-o é a negação do nós.

segunda-feira, 8 de março de 2010


P o d e r


Fico imaginando se todo mundo fosse capaz de fazer tudo que desejasse. Dá medo! Viveríamos em constante ansiedade. Estaríamos em um mundo repleto por pulsilamines. Um verdadeiro estado de natureza. A ética seria no mínimo hipotética, ou até mesmo patética. A força prevaleceria sobre a razão. Os limites não existiriam. O sangue seria apenas um líquido vermelho que correria em uma massa formada por elementos químicos. A vida apenas mais um objeto que não passaria de matéria. Imagino que pessoas passariam a viver em gaiolas ou aquários. Muitos de nós seríamos como animais de estimação. Dependendo da beleza e forma corporal uns mais cobiçados que outros. Me assusta conceber um mundo destituído de amor. Em que a história de Hiroshina e Nagasaki seria a história da humanidade. A vida seria banal, casual e vaga. Fama, dinheiro e sexo custariam mais do que pessoas. Talvez estejamos no prelúdio dessa horrenda sinfonia.