O O-U-T-R-O
O o-u-t-r-o é a parte de um todo incompleto.
É o que sente ciúmes e ninguém ver.
O que é amado com amor sigiloso.
Aquele que não recebe mensagens.
O que liga, mas não é ligado.
O o-u-t-r-o é a imagem retorcida no espelho.
É o anjo endiabrado.
Fantasma sem vulto.
É o incompleto de um todo.
O amor discarado, que rouba mas não é roubado.
Que passa noites desacompanhado e é amado em momentos bem planejados.
Aquele que se esconde na solidão e na plenitude de não possuir o que o outro-completo tem.
O que se satisfaz com a insatisfação.
Que nega a verdade e se apropria da mentira.
O o-u-t-r-o se alegra com a sobra e não cobra um pouco mais.
Vive do que recebe e agradece.
Finge não querer ser parte, mas entende que isso é o que lhe cabe.
Não espera ser amado por completo, apenas platoniza e idealiza aquilo que poderia ser.
Vive do eu mesmo, porque ser o o-u-t-r-o é a negação do nós.
quarta-feira, 10 de março de 2010
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Um comentário:
O maior paradoxo do O-U-T-R-O está no fato de muitas vezes enxergar ou não, em maior ou menor grau, a imagem do E-U.É mera questão de refração... ajuste de espelhos. Gosto da maturidade do texto!
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