sexta-feira, 10 de outubro de 2008


O Olhar! E, não "o seu olhar"!

Pediram-me pra escrever sobre bolhas, bolhas de sabão. Confesso que faltou e ainda falta inspiração para isso, talvez se me tivessem pedido para escrever sobre “o olhar” teria sido muito mais fácil. Mas, também, não me arriscaria escrever sobre “o seu olhar”, porque já fizeram isso e não souberam como fazer, porém eu não ousaria dizer que saberia escrever melhor do que quem já fez. Só ousaria trocar o estilo, talvez dar-lhe uma prosa ao invés de um poema, afinal de contas não sou bom com versos. Ou, até mesmo, ao invés de escrever preferiria sentar-me na grama verde, ou numa mesa de restaurante, e olhar o seu modo de olhar. Visualizar em tão pequenos órgãos a plenitude de um oceano. Navegar incansavelmente por esse mar sem desviar o olhar. Olhar esse que fala mais do que palavras, que deixa o ser desnudo, que rompe com a fragilidade da distância e aproxima recém-conhecidos em uma espécie de velhos amantes. Contudo, se mesmo assim fosse o seu desejo que eu escrevesse, eu roubaria um dos textos de Sheakspeare e o tornaria minha autoria. A frase “os olhos são as janelas da alma”, seria minha.

Nenhum comentário: