
"Descobri" algo fantástico. "Descobri" que eu posso re-inventar o passado, que eu posso editar os fatos, que sou capaz de transformar as cenas pretas e brancas em coloridas, ou até mesmo as coloridas em preto e branco. "Descobri" que a memória nada mais é do que a arte de re-viver, de tornar o velho novo. A memória é a minha máquina do tempo. Muito me surpreende que alguns seres humanos racionais usem apenas a sua memória para re-cordar, quando podem usá-la para re-criar. Re-viver e re-cordar no sentido mais vívido dos termos. Quando re-vivo, dou significação a minha vida; quando re-crio, potencializo a minha existência. "Descobri" que para continuar a viver é necessário ser autor, é preciso ser, ao mesmo tempo e na mesma relação, a arte e o artista.
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