Somos enquanto estamos...
Na verdade, nessa vida não somos o que somos, apenas estamos o que somos. Enquanto seres nos outros, somos. Porém, como seres em nós mesmos, individuais, apenas estamos. Na condição de que mudamos a cada átimo de tempo, de que nos diferenciamos de nós mesmos e passamos a ser outro que não é o outro. Um que em um tempo é o eu, e em outro é o tu, todavia não é ele, existindo como sujeito histórico e não-histórico, como coadjuvante e figurante. Era e deixou de ser, é e continua sendo o que quiser ser. O que era um dia, é e não é mais, pode continuar a ser como deixar de ser. Estamos porque mudamos, somos porque escolhemos assim ser, deixamos de ser porque não mais conveniente é ser. Aprendemos porque queremos mudar, mudamos porque desejamos aprender. Se não aprendemos é porque não queremos, se não queremos é porque isso não nos importa. Se não nos importa é porque é detalhe. Se for detalhe é porque não é grave. Se não é grave surge o entrave. Diante do entrave resta a face. A face que mostra o que não é ou o quanto se gostaria de ser diante do espelho, desse mesmo espelho embaçado, opaco, raso.

3 comentários:
Muito bom..
deveras intrigante!!!!!!!!
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