
Tem horas que a gente tenta. Tenta ser alguém melhor, mas tem horas que a gente percebe que tentar ser alguém melhor não é o suficiente. E parece não haver o devido valor a isso, então a gente tenta assim mesmo, tenta ser alguém menos pior. Menos pior do que já foi ou talvez ainda é, e isso não quer dizer que a gente está melhorando, mas apenas que está sendo menos pior. Menos pior do que nós mesmos, menos pior do que o político corrupto, do que a mãe desnaturada, do que a elite que domina e aliena, menos pior do que os que fazem a guerra, menos pior do que os que roubam a paz dos outros, menos pior do que o que mata o corpo e por vezes a alma, menos pior do que o que mente olhando nos olhos, menos pior do que o mal-amado, menos pior do que o filho desnaturado. O negócio mesmo é que a gente não quer ser melhor, mas apenas menos pior. E quando a gente não consegue, a gente tenta assim mesmo, e ainda diz que o importante é competir e que vencer já é outra história.
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