quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Confiança...

Quando somos crianças aprendemos que acreditar nas outras pessoas é o melhor que podemos fazer. Que a palavra de um homem ou mulher é o que há de mais confiável. Mas ao mesmo tempo somos ensinados a não acreditar nas palavras de um estranho. E até fugir dele se preciso. Contudo, toda criança cresce e descobre que confiança não é simplesmente para quem se conhece e desconfiança para quem não se conhece. Confiança é para quem a merece. E o difícil é saber quem é merecedor dela. As pessoas grandes se esqueceram que a confiança é o que rege e alimenta relacionamentos. É o maestro da vida. São os seus movimentos que conduzem alguém para perto ou distanciam, que intensifica ou desintensifica o ritmo da música chamada vida. Amor para muitas pessoas é o mesmo que sentimento, para mim é o mesmo que confiança, que compromisso, que responsabilidade. Algumas pessoas inferem que a minha posição tem sido pessimista, confesso que a tenho repensado, contudo não tenho conseguido adotar outra postura. Já tentei, porém acho que não vale a pena. Sabe por quê? Porque me falta confiança. Não confio na minha geração. Não confio nas pessoas que se dizem confiáveis. Não confio nas pessoas que falam e agem de forma diferente do que falam. Cuja lexis é diferente da práxis. Queria e, talvez, ainda quero confiar mais. Acreditar que a humanidade desumanizada ainda é humana. Que o mais frio dos homens tem um coração que pode se aquecer. Que o mais violento dos homens pode tornar-se doce. Que a pessoa mais egoísta pode se tornar altruísta. Que o mais arrogante pode vir a ser o mais delicado. Que o mais orgulhoso, talvez, possa vir a ser o mais humilde. Que o mais desapaixonado se torne o mais apaixonado. Que o mais pessimista seja o mais otimista. Que o mais incrédulo seja o mais confiante. Que a humanidade volte a ser humana.

Nenhum comentário: