domingo, 23 de março de 2008

Inércia!

Inércia! Não me refiro à Primeira Lei da Física! Refiro-me, sim, ao estado em que muitas vezes me observo. Talvez esta confissão te choque, contudo esta é a pura e límpida verdade. Muitas vezes quando tenho tempo para parar e pensar sobre o mundo em que vivo, adornado pela mediocridade, pela mesquinhez, pelos interesses egoístas, pela lei dos mais fortes que oprimem e superam os mais fracos, sinto uma espécie de desespero, de nojo, de medo. Sei lá que sentimento é esse! Aí, paro e me pergunto: O que eu tenho feito? E a resposta vem: Pouco. Muito pouco. Pouquissímo. Mas isso não me surpreende tanto. Sabe o que mais me impressiona? É que estou inerte. Todos os dias eu sei que alguma criança é abusada pelos próprios pais, que uma mulher é espancada pelo seu próprio marido e não tem a coragem de largá-lo por medo de encarar a vida sem ele, que crianças são jogadas nas Lagoas da Pampulha da vida, que menores vendem os seus corpos para prover o seu sustento e muitas vezes o de toda família, que crianças dormem nas ruas - enquanto eu tenho uma cama. Nada revela mais a inércia do que sentir o cheiro do lixo, vê-lo debaixo do nariz e não jogá-lo fora. A sociedade produz o lixo, o seu fedor entra pelas minhas narinas e, aos poucos, infelizmente, eu vou me acostumando com o fedor.

3 comentários:

Geneson disse...

Isso amigo, escreve mesmo...!
Muito bom!

Anônimo disse...

Testando...

Anônimo disse...

Este material que você publicou diz respeito a um assunto muito atual.Volta e meia eu também fico pensando na forma como a lógica de acumulação capitalista prega para as pessoas que o importante é vencer e buscar o seu lugar ao sol, nem que para isso seja preciso passar por cima das outras pessoas.Na verdade,entretanto, o ser humano é social.Não podemos imaginá-lo como uma ilha.Cada um de nós reflete o mundo e o mundo reflete nossas atitudes.Todos nós somos responsáveis pelo sucesso de uns ou pela miséria de outros.É preciso resgatar a idéia da sociedade orgânica, intrínseca e articulada em que o homem vive.É uma condição existencial.Não podemos mais suportar a idéia de que os políticos tem o dever de resolver TODOS os problemas do país.Isso é a expressão máxima da inércia comodista!Cada um de nós pode começar a fazer o mínimo(como, por exemplo, organizar reuniões com os vizinhos para discutir como estes estão despejando o lixo) para se alcançar, a médio ou longo prazo, o máximo.Assim, o Brasil sairá dos tentáculos da miséria e hipocrisia rumo aos caminhos maravilhosos da cidadania e da paz!

fabrício