terça-feira, 5 de agosto de 2008

"O pra sempre, sempre acaba!"


Será que tem algo mais doloroso do que o "pra sempre"? O "pra sempre" nos prende ao futuro e não nos permite viver o presente. Eu estou descobrindo algo, to descobrindo que o pra sempre, sempre acaba, mais cedo ou mais tarde. Talvez o "pra sempre seja" apenas o hoje ou um poquinho do amanhã. O "pra sempre" seja o "eterno enquanto dure". E nem sempre o "pra sempre" vai durar pra sempre. Então quando alguém diz que algo é "pra sempre", talvez se queira dizer do sempre que eu dá conta e não do sempre que o outro deseja. Contudo, com a tranformação, ocasionada pelo materialismo gerado pelo capitalismo acirrado, as pessoas cada vez mais se colocam na prateleira à disposição das outras, para serem usadas (e algumas vezes abusdas) no aqui e o agora (pois o depois não existe), deixando cada vez mais de lado a idéia do "pra sempre". Imagino que esta postura surja do medo do "pra sempre" verdadeiro, daquele que até pode não virar de verdade um "pra sempre", mas que há a intenção de vir a ser. Admiro-me das crianças quando leem os seus livros de contos e no final com todo entusiasmo elas dizem: "E viveram felizes para sempre". E muitas delas aprendem sobre a possibilidade do "felizes para sempre", contudo à medida que vão vivenciando as suas experiências são forçadas (ou se forçam) a perceber que isso é somente possível nos contos de fadas, nos quais tudo pode ser projetado como se deseja e o desejo dos amantes são compatíveis. Bem ao contrário da vida real, em que as pessoas são cada vez mais coisas e as coisas pessoas.

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